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Brasil registra mais de 6 mil casos de violência sexual infantil em 2021

Em 18 de maio de 1973, uma menina de oito anos foi raptada, drogada, estuprada e morta no Espírito Santo. Encontrada seis dias depois, Araceli Cabrera foi uma das milhares de vítimas da violência sexual infantil no Brasil. A brutalidade do caso fez com que a data fosse instituída como Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, pela Lei nº 9.970/2000. Trata-se de um problema gravíssimo no país: de 1º de janeiro a 12 de maio deste ano, 6 mil casos de abusos e violência sexual foram denunciados ao Disque 100, serviço do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. O número representa 17,5% das 35 mil denúncias de violação de direitos de crianças e adolescentes no período.

De 2011 até o primeiro semestre de 2019, cerca de 200 mil casos de violência sexual infantil foram registrados, segundo a cartilha “Abuso sexual contra crianças e adolescentes - Abordagem de casos concretos em uma perspectiva multidisciplinar e interinstitucional”, da Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente do governo federal. De acordo com a publicação, os abusos de menores ocorreram mais de 2 milhões de vezes. 

As violações incluem violência física e/ou psicológica, abuso sexual físico, estupro e exploração sexual. Em 67% dos casos, os abusos são praticados dentro da própria casa da criança e do adolescente, e os agressores normalmente são da família - o pai ou a mãe, em 59% das ocorrências; padrasto ou madrasta, em 6% dos casos; e avô, avó ou tio, em 3%.

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As vítimas - que são meninas em 66,4% das ocorrências, conforme o Disque 100 - apresentam sinais psicológicos das violações sofridas, além dos indicativos físicos. Os indícios de violência mudam de acordo com a faixa etária, sendo alguns deles os desenhos sexualizados, a perturbação do sono, o medo de homens, os acessos de raiva, as mudanças de humor, as crises de ansiedade e depressão, tentativas de suicídio e abuso de drogas e álcool.

“Muitas vezes, a criança ou o adolescente não relata o episódio de abuso por não compreendê-lo ou por medo. Mas alguns sinais podem ser percebidos de forma involuntária. Em casos em que há suspeita ou certeza, não hesite: Disque 100 ou acesse o aplicativo ‘Direitos Humanos Brasil’. É preciso denunciar. As vítimas têm para onde correr e com quem contar”, afirma Maurício Cunha, Secretário Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, na cartilha.

Além do canal de atendimento Disque 100 e do aplicativo, é possível também fazer denúncias virtualmente, pelo WhatsApp, pelo Telegram (Direitoshumanosbrasilbot) e pela ouvidoria do site do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. Outros canais: os Conselhos Tutelares, os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), o Ministério Público e ONGs, como a Childhood Brasil e a ChildFund Brasil.

Live da AMATRA1 sobre documentário vai abordar o abuso sexual infantil

Para marcar a data, a AMATRA1 vai promover, nesta terça-feira (18), uma live sobre o documentário “Um crime entre nós”. A juíza do Trabalho Adriana Leandro, 2ª vice-presidente da associação, e a assistente social do Camp Mangueira Jaqueline Marques vão conversar sobre a obra que, valendo-se de depoimentos de vítimas, especialistas e ativistas, mostra a realidade de violência enfrentada por crianças e adolescentes brasileiros.

“A exploração sexual infantil aumentou significativamente na pandemia, principalmente em pontos próximos a estradas e rodovias. Por isso, mais do que nunca, precisamos falar sobre essas violações, para que casos como o da Araceli, que infelizmente se repetem a todo instante, sejam evitados”, afirma a magistrada.

O evento será transmitido pelo canal da AMATRA1 no YouTube e no Facebook, a partir das 19h. Não perca!
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