Notícias

CNJ recomenda uso de protocolo de perspectiva de gênero em julgamentos

CNJ recomenda uso de protocolo de perspectiva de gênero em julgamentos
Para incentivar o combate à discriminação contra mulheres e meninas, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou recomendação para o uso do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero por juízes e juízas de todos os segmentos do Poder Judiciário. Voltado ao cumprimento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável – ODS 5 da Agenda 2030 da ONU, que visa o alcance da igualdade de gênero, o documento foi criado a partir da atuação do Grupo de Trabalho composto por membros de diferentes ramos da Justiça e de entidades associativas, como a Anamatra. A aprovação aconteceu na 344ª Sessão Ordinária do CNJ.

“O protocolo foi aprovado para colaborar com as políticas nacionais de enfrentamento à violência contra as mulheres e para ser também um incentivo à participação feminina no Poder Judiciário”, afirmou o presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux.

Baseado no “Protocolo para Juzgar con Perspectiva de Género”, criado pelo México após determinação da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o documento brasileiro tem como objetivo auxiliar a promoção de julgamentos que rompam com culturas de discriminação e preconceitos de qualquer natureza. Seu conteúdo é dividido em três partes, cada uma com diferentes capítulos. 

Leia mais: Ronaldo Callado debate urgências da JT com próximo presidente do TST
Juiz Fabiano Luzes lança o livro ‘Neopopulismo e Direito do Trabalho’
Marcado para abril, 20º Conamat recebe teses até 8 de março

A primeira parte aborda aspectos teóricos sobre a questão da igualdade e também do Direito, como os conceitos de gênero, divisão sexual do trabalho, desigualdades estruturais, neutralidade e imparcialidade. A segunda traz um guia para magistradas e magistrados, com um passo a passo de como julgar por uma perspectiva de gênero.

Para a diretora de Direitos Humanos da AMATRA1, Ana Larissa Caraciki, o material auxilia na emancipação da magistrada ou do magistrado “frente ao dogma da imparcialidade”. “O protocolo elucida que julgar com perspectiva de gênero é se aproximar da igualdade substancial desejada pelo Direito contemporâneo. Parcial, por outro lado, é aquele que, aplicando a letra fria da lei, colabora para a manutenção das estruturas patriarcais de exploração e exclusão de mulheres”, afirmou. 

A terceira e última parte trata das questões de gênero específicas de cada ramo da Justiça. No espaço dedicado ao Judiciário trabalhista, o protocolo foca nas desigualdades de oportunidades, no ingresso e progressão na carreira e de remuneração, na discriminação nas fases pré-contratual e contratual, na violência e assédio sexual e moral no ambiente de trabalho, da situação de trabalhadoras gestantes e lactantes, entre outros. 

A prática de interpretação da lei é facilmente aplicável à Justiça do Trabalho, pontuou a juíza Ana Larissa. “A julgadora ou o julgador pode reconhecer os impactos da maternidade na vida profissional das mulheres, e adotar as soluções jurídicas que as possibilitem se manter no mercado de trabalho em condições compatíveis com os cuidados com a prole.”

Clique aqui para ler a íntegra do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero.
We use cookies

We use cookies on our website. Some of them are essential for the operation of the site, while others help us to improve this site and the user experience (tracking cookies). You can decide for yourself whether you want to allow cookies or not. Please note that if you reject them, you may not be able to use all the functionalities of the site.