Notícias

Daniela Muller comenta, em entrevista, decisão do STF sobre pejotização

Daniela Muller comenta, em entrevista, decisão do STF sobre pejotização
A decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender todos os processos que discutem a validade dos contratos de trabalhadores, no modelo conhecido como  pejotização, terá impacto  sobre uma série de ações na Justiça do Trabalho. Em entrevista ao Correio da Manhã, a juíza Daniela Muller, presidenta da AMATRA1, explicou que a medida afeta inclusive o trâmite de processos sobre denúncias de trabalho escravo, além de outras formas de violação de direitos trabalhistas.

Daniela Muller alertou que o alcance da medida ultrapassa a discussão sobre pejotização, travada no Supremo, atingindo  inúmeras ações que tratam de contratações por pessoa jurídica ou de autônomos em contextos fraudulentos. 

Segundo a presidenta da AMATRA1, apesar da importância do tema em discussão no STF,  a ausência de prazo para o julgamento de mérito pela Corte amplia a insegurança institucional e compromete o andamento de processos sensíveis no âmbito da Justiça do Trabalho. Ela afirmou que a Justiça especializada tem reconhecido, de forma consistente, a existência de vínculos empregatícios em contratos mascarados por formalidades civis. Essas ações representam uma parcela significativa da atuação dos tribunais trabalhistas e incluem denúncias de trabalhadores submetidos a condições degradantes de trabalho.

A decisão de Mendes foi proferida no contexto de um processo sobre pejotização, em que ele mencionou precedentes já analisados pelo STF. O ministro fez um paralelo com a terceirização, considerada uma situação distinta por alguns especialistas, já que envolve uma empresa intermediadora e responsabilidade subsidiária.

O procurador do Trabalho e professor de direito constitucional Cássio Casagrande criticou os efeitos da decisão, afirmando  que a possível validação irrestrita da pejotização pode esvaziar a Consolidação das Leis do Trabalho. Ele apontou prejuízos aos direitos sociais, como o fim de garantias como férias, 13º salário, FGTS e estabilidade da gestante.

Em manifestação enviada ao STF em 2023, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional já havia registrado preocupação com os impactos fiscais da pejotização. O órgão destacou que a prática fragiliza a arrecadação da Previdência e permite a evasão de impostos por meio da simulação de relações civis de prestação de serviços.

Com informações do Correio da Manhã - Foto de capa: Antonio Augusto/SCO/STF.

Leia mais: Conafret celebra 20 anos com livro sobre fraudes trabalhistas

Fiscais resgatam operários de condições degradantes em (BA) Lauro de Freitas 

Igualdade: Anamatra altera nome para incluir expressamente “magistradas”
We use cookies

We use cookies on our website. Some of them are essential for the operation of the site, while others help us to improve this site and the user experience (tracking cookies). You can decide for yourself whether you want to allow cookies or not. Please note that if you reject them, you may not be able to use all the functionalities of the site.