Notícias

Trocas culturais enriquecem todos, mostra live de Helen Peixoto e Cabral

Trocas culturais enriquecem todos, mostra live de Helen Peixoto e Cabral
As trocas culturais entre os personagens franceses e espanhóis do filme “As Mulheres do Sexto Andar” foram debatidas pela juíza do Trabalho e diretora da AMATRA1 Helen Peixoto e pelo professor de Filosofia da UERJ Alexandre Cabral, em live no Instagram (@amatra1), nesta sexta-feira (5). Retratado em Paris na década de 60, o longa mostra a história de um casal conservador que tem suas vidas mudadas por empregadas domésticas espanholas.

“Ao mesmo tempo em que o filme trata da opressão, também fala da espontaneidade das espanholas. Essa característica é ensinada aos franceses, que também as ensinam a prosperar materialmente. O filme traz a união de culturas diferentes se aproximando e aprendendo uma com a outra para o melhor”, afirmou a magistrada.

Leia mais: Roberto Fragale publica artigo ‘Escolhas pós-pandemia’, no Jota
Acordo homologado pelo TRT-1 garante proteção a profissionais de oito hospitais
Ações da campanha estadual contra o trabalho infantil começam nesta terça (9)


O professor ressaltou que as relações de hierarquia entre os personagem criam um canal de diálogo entre eles. Ele destacou que o filme mostra a desconstrução das percepções sobre “quem está acima ou abaixo, quem é digno ou indigno” e a possibilidade da comunicação entre culturas heterogêneas. “Eles se enriquecem com as diferenças, que são vistas como potencialização das culturas implicadas”, completou o professor.

Para Alexandre Cabral, a sociedade mantém um discurso de tolerância ou, no máximo, respeito com as diferenças. Por isso, apontou que a real beleza da obra está na “possibilidade de ser ‘vira-lata’, que é feito de mescla, do contato com o outro”. 

“É uma interpretação muito imoral achar que a mescla produz menos; no filme, a mescla produz mais, o enriquecimento. A grandeza do filme é a produção do ‘viralatismo’, no melhor sentido possível.”

A opressão presente na obra também foi discutida por Helen e Cabral. “Muitas vezes temos a ideia de que o opressor está sempre feliz e se dando muito bem. Mas, no filme, vemos que a vida dele e daquela família francesa é uma pobreza”, apontou a juíza.

Citando “Pedagogia do Oprimido”, de Paulo Freire, Cabral explicou que “no sistema de opressão não há figuras de liberdade que sejam possíveis, porque o opressor também é oprimido porque ele reduz o ser ao ter e, por isso, ele se empobrece. O opressor, ao reduzir o ser ao ter, só tem relação de posse e, portanto, relações de possibilidade de acúmulo. Reduz a qualidade relacional das relações à quantidade das relações de posse. É uma vida de quantificação continuada. Por isso, a vida daquele burguês francês é uma vida de pobreza. O lugar do opressor é ser oprimido pela lógica da posse”.

Veja a live na íntegra:

We use cookies

We use cookies on our website. Some of them are essential for the operation of the site, while others help us to improve this site and the user experience (tracking cookies). You can decide for yourself whether you want to allow cookies or not. Please note that if you reject them, you may not be able to use all the functionalities of the site.