Notícias

Curso inédito debate desafios e igualdade de gênero na magistratura

Curso inédito debate desafios e igualdade de gênero na magistratura
Três associados da AMATRA1 participaram do curso “A Mulher Juíza: Desafios na carreira e atuação pela igualdade de gênero”, que ocorreu de 15 a 17 de maio, em Brasília. Promovido pela Enfam (Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados), com o apoio do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), o curso é uma iniciativa pioneira do Poder Judiciário no Brasil para ampliar a participação feminina na magistratura.

De acordo com o último Censo, realizado em 2010, as mulheres correspondem a mais da metade (51,5%) da população brasileira. No Poder Judiciário, porém, elas são minoria. Um levantamento feito em 2018 pelo CNJ mostrou que as mulheres representam 37% da magistratura. O ramo do Poder Judiciário com maior número de mulheres (47%) é a Justiça do Trabalho. Nos últimos 10 anos, a participação feminina em geral aumentou apenas 1,2 ponto percentual. 

“Temos plena consciência de que quem julga um processo não é um homem ou uma mulher, mas a lei. No entanto, acreditamos que quanto mais plural for a Justiça, melhores serão as suas decisões”, afirmou a ministra Maria Thereza de Assis Moura, vice-presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e ex-diretora da Enfam.

Leia mais: Reforma Trabalhista não cria vagas e defensores culpam crise

No Mérito: ‘Ser juiz é profissão de dedicação e abnegação’, diz Mery Bucker

Região Serrana recebe 'De Mãos Dadas pela Cidadania'

A vice-presidente da AMATRA1, Adriana Leandro, acredita que o curso trouxe à tona a discussão do papel da mulher juíza dentro e fora do Judiciário. “A abordagem interseccional de temas que precisam cada vez mais serem discutidos permite que a empatia seja praticada. Quanto mais entendermos o que se passa com o outro e aceitamos que cada um tem sua individualidade, maior será a possibilidade de termos uma sociedade mais harmônica e menos sectária”, disse. Os juízes Paulo Rogério dos Santos e Bárbara Ferrito também prestigiaram o curso. 

A programação do curso contou com mesas sobre ocupação de espaços institucionais e avaliação judicial sobre os riscos de violência doméstica até oficinas sobre representatividade e julgamento com perspectiva de gênero. Segundo a juíza Barbara Ferrito, associada da AMATRA1, o curso foi uma verdadeira imersão no assunto. “Foram três dias debatendo questões de gênero no âmbito do Judiciário. Mais do que uma análise sobre a quantidade de mulheres, tratamos dos modelos masculinos tantas vezes adotados inconscientemente como o padrão de juiz”, disse.

[caption id="attachment_24874" align="aligncenter" width="718"] A vice-presidente da AMATRA1, Adriana Leandro, ao lado dos associados Paulo Rogério dos Santos e Bárbara Ferrito[/caption]

Para a conselheira do CNJ, Maria Teresa Uille, o curso é um reconhecimento do trabalho desempenhado pelas magistradas. “Esse curso é um marco institucional no Judiciário brasileiro de valorização das magistradas e do trabalho produzido por elas aos seus jurisdicionados”, disse.

Os dados da pesquisa do CNJ de 2018 também revelam que as mulheres progridem menos na carreira jurídica. Elas representam 44% dos juízes substitutos, 39% dos titulares, 23% dos desembargadores e apenas 16% dos ministros de tribunais superiores. Os números mostram que há um longo caminho a ser percorrido e que iniciativas como o curso “A Mulher Juíza: Desafios na carreira e atuação pela igualdade de gênero” precisam ser valorizadas.

Foto: Reprodução/Agência CNJ
We use cookies

We use cookies on our website. Some of them are essential for the operation of the site, while others help us to improve this site and the user experience (tracking cookies). You can decide for yourself whether you want to allow cookies or not. Please note that if you reject them, you may not be able to use all the functionalities of the site.