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‘Indústria Americana’ mostra choque de culturas no trabalho

‘Indústria Americana’ mostra choque de culturas no trabalho
As diferentes perspectivas de trabalhadores norte-americanos e chineses sobre a operação diária em uma fábrica, direitos trabalhistas e normas de segurança são expostas em “Indústria Americana” (“American Factory”, no título original), vencedor do Oscar de Melhor Documentário em 2020. Produzida pela companhia Higher Ground, de Michelle e Barack Obama, a obra retrata o choque provocado pelas mudanças de cultura e no modo operacional de operários dos Estados Unidos em uma multinacional chinesa instalada em Dayton, Ohio, na área onde ficava uma fábrica da General Motors desativada.

O documentário começa com o fechamento da planta de veículos em 2008 e registra a retomada das operações no mesmo espaço físico, com a chegada da fabricante de vidros automotivos chinesa Fuyao, entre 2015 e 2017. A companhia se instala no local e contrata a mão de obra americana - muitos funcionários de carreira da GM e que haviam passado anos desempregados após o fim da montadora.

Os cineastas têm amplo acesso à fábrica e às atividades dos funcionários e presenciam reuniões de diretoria, discussões, problemas de operação. Chegam a acompanhar uma visita de funcionários norte-americanos à sede chinesa da empresa, para conhecer e se surpreender com as práticas de trabalho locais. 

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Além da grande diferença nos contracheques em relação à antiga empregadora, o choque cultural fica evidente no convívio entre os empregados e gerentes, que têm concepções e valores muito distantes em relação à rotina e ao trabalho. Os chineses rotulam os americanos de ineficientes e preguiçosos, porque trabalham “apenas” cinco dias por semana e oito horas diárias; os locais se queixam das jornadas exaustivas exigidas pelos empregadores da Fuyao e da falta de segurança no trabalho.

O longa-metragem dirigido por Steven Bognar e Julia Reichert flagra ainda a pressão da direção da fábrica sobre os trabalhadores para tentar impedir a sindicalização dos funcionários e os conflitos internos e geracionais entre operários ex-GM e outros mais jovens que derivam dessa disputa. “Não queremos sindicato aqui. Vai atrapalhar nossa produtividade”, diz, claramente, o presidente chinês da companhia.

Veja o trailer oficial do filme “Indústria Americana”:


*Foto: Netflix
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