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Live da AMATRA1 discutiu condições de trabalhadores em Pernambuco

Live da AMATRA1 discutiu condições de trabalhadores em Pernambuco
Com mediação da juíza Laís Ribeiro, diretora da AMATRA1, o procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ), João Berthier, e a magistrada Renata Nóbrega, do TRT-6 (PE), conversaram na live de sexta-feira (3) sobre o documentário brasileiro “Estou me guardando para quando o Carnaval chegar”. Eles debateram as precárias condições de trabalho em fábricas caseiras de jeans de Toritama (PE). O encontro on-line foi transmitido ao vivo no canal da AMATRA1 no YouTube e em seu perfil no Facebook.

“É um filme que instiga muitos sentimentos e questionamentos. É provocativo em vários sentidos, seja pela forma de trabalho, pela maneira com que os trabalhadores envolvidos naquela situação enxergam o trabalho deles, pela visão do diretor ou pelos sentimentos que surgem em nós a respeito daquela realidade”, afirmou Laís.

O documentário conta a história de trabalhadores que produzem mais de 20 milhões de jeans por ano, em fábricas caseiras, e só têm descanso durante o Carnaval. Na única folga do ano, eles se refugiam em praias fora da cidade até a Quarta-feira de Cinzas, quando começam um novo ciclo de trabalho intenso.

Segundo Berthier, o enredo faz “uma denúncia severa de algo gravíssimo” de maneira implícita, fazendo com que pessoas que não integram o mundo do trabalho e até mesmo os trabalhadores de Toritama que assistirem possam refletir sobre as questões expostas.

“O filme relembra, primeiramente, que as relações de trabalho são relações de poder. E onde há relação de poder, não se tem tanta liberdade assim para agir. No fundo, aqueles trabalhadores sofrem de uma doença, que é a da ilusão do trabalho livre. Isso é um dos instrumentos do capitalismo”, pontuou.

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O procurador-chefe destacou que os trabalhadores locais são animalizados, quando obrigados a viver o momento de trabalho, e coisificados, quando tratados como extensão da máquina. E a narrativa do filme relembra não ser possível anular sua condição humana.

“Como o sujeito continua sendo gente, ele tem um futuro e quer algo para além daquilo, mostrando ali que não é um animal. Está tratado como tal, mas mostra que não é porque quer, no Carnaval, ter alguma hora de felicidade. O bacana do filme é resgatar o seguinte: você trata um sujeito como se fosse um animal, dizendo ‘viva o momento, não pense no antes e no depois, seja uma extensão da máquina’, mas ele segue sendo gente, por mais que se negue essa perspectiva a ele.”

Renata retomou uma fala do diretor da obra, Marcelo Gomes, sobre a falta de passado, que seria a memória, e de futuro, que seria a esperança. “Então, foca-se no presente. É como se a cidade prendesse as pessoas, e eles escapam da cidade para ter a sensação de fora do trabalho quando vão ao Carnaval. Existe um escapismo no sentido de ‘estou vivo’, ‘não só estou em mim para o tempo presente’”, disse. 

Mas, para a magistrada, também pode haver uma mensagem de esperança, que talvez seja a de escapar da realidade que vivem durante todo o ano. “Existe a esperança no futuro, que são os oito dias de carnaval”, completou.

A juíza do TRT-6 também destacou que o filme representa um jogo de escalas e que, na verdade, “Toritama é o mundo”. “É uma visão daqui do agreste em que vemos uma dimensão de produção que está no mundo inteiro. As pessoas estão começando a acreditar que são colaboradores e empreendedores, e todos nós também estamos naquela condição de desconexão quando, na verdade, estamos submetidos.”

Na visão de João Berthier, é evidente que o filme retrata uma situação de trabalho subordinado, e faz um paralelo com os aplicativos de oferta de serviços, como Uber e iFood. “O sujeito, em princípio, tem a moto ou o carro dele e é o ‘empresário de si mesmo’. Mas os programas fazem a pessoa a trabalhar como a plataforma quer. É uma subordinação que tem a ver com uma mecânica de trabalho que um sistema programático impõe. O que se passa em Toritama é quanto mais se produzir, mais trabalho será dado, e isso é uma maneira de subordinar”, afirmou Berthier.

Veja a live da AMATRA1 na íntegra:
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