Notícias

Presidenta critica modelo de recuperação judicial em entrevista ao UOL

Presidenta critica modelo de recuperação judicial em entrevista ao UOL
A presidente da AMATRA1, Daniela Muller, criticou o mecanismo de recuperação judicial vigente no Brasil e destacou os efeitos prejudiciais para os trabalhadores. Em entrevista ao site de notícias UOL, a magistrada apontou que o processo, muitas vezes, resulta em grandes prejuízos para os credores trabalhistas.

“Quem mais perde são os trabalhadores. Isto é, o trabalhador vai conseguir no máximo 15%, mas muitas vezes não recebe nada: zero. É uma questão muito grave”, afirmou a presidenta.

Daniela Muller ressaltou que, apesar de a lei permitir que empresas em dificuldade financeira reorganizem suas dívidas, os mecanismos de recuperação judicial frequentemente prejudicam os trabalhadores. Segundo ela, em diversos casos, as recuperações judiciais são tratadas como a “lei do calote oficial”, onde dívidas são confessadas, mas não pagas. 

A juíza destacou que, de acordo com os dados dos Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), o deságio para trabalhadores pode chegar a 85-90% e, em muitos casos, eles nada recebem.

A reportagem cita o exemplo da construtora Rossi, sediada em São Paulo. No fim de 2023, a empresa apresentou duas opções de pagamento aos credores. A primeira oferecia até R$ 5.000 para aqueles a quem a empresa devia até R$ 1 milhão, com pagamento em até 180 dias. A segunda previa que os credores recebessem o valor integral da dívida, mas só após 40 anos em uma única parcela.

A maioria dos credores, 93,7% dos 1.386 consultados, aceitou a primeira opção. Dois optaram por esperar quatro décadas para receber o montante total. A proposta foi aprovada pela assembleia de credores e pela Justiça, mas não escapou das críticas.

O advogado Francisco Rodrigo Silva, que representa alguns credores, classificou a proposta como “imoral”. Ele criticou a falta de um limite legal para os descontos aplicados durante as recuperações judiciais, os “deságios", que muitas vezes resultam em grandes prejuízos para os credores. 

Com informações do UOL - Foto de capa: trecho da matéria.

Leia mais: TRT-1 pretende ampliar acesso da população em situação de rua à Justiça

Daniela Muller recebe o Prêmio Mulheres que Inspiram, da Câmara do Rio

Prêmio Anamatra de Direitos Humanos divulga cronograma
We use cookies

We use cookies on our website. Some of them are essential for the operation of the site, while others help us to improve this site and the user experience (tracking cookies). You can decide for yourself whether you want to allow cookies or not. Please note that if you reject them, you may not be able to use all the functionalities of the site.