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Profissionais de pesquisa nacional sobre Covid-19 são detidos e hostilizados

Profissionais de pesquisa nacional sobre Covid-19 são detidos e hostilizados
Entrevistadores que atuam na maior pesquisa nacional sobre a extensão da Covid-19, coordenada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e financiada pelo Ministério da Saúde, foram detidos por forças de segurança em 13 municípios, tiveram materiais apreendidos, foram hostilizados e agredidos pela população e impedidos de trabalhar pelas prefeituras em 42 cidades.

O estudo, financiado com R$ 12 milhões do Ministério da Saúde e R$ 1 milhão do Instituto Serrapilheira, pretende testar amostras de 33.250 pessoas em 133 cidades, em todos os estados e no Distrito Federal, e é conduzido no campo por entrevistadores do Ibope. O objetivo é estimar quantos brasileiros foram infectados pelo novo coronavírus, para auxiliar no planejamento do combate à doença. Diante da escassez de testes e indisponibilidade de uma testagem em massa no Brasil, trata-se da principal pesquisa nacional para identificar  o número real de infectados no país. É feita usando o princípio de sondagens eleitorais, de amostras, com formulário e teste rápido de anticorpos, na casa das pessoas.

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As equipes são uniformizadas, identificadas e portam ofício do Ministério da Saúde. O trabalho é ainda aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. Ainda assim, sob suspeita de fraude, a entrevistadora Carla Sousa da Silva chegou a ser detida em uma prisão em Santarém (PA). “Tive medo de ser linchada publicamente”, contou. Lá, o material também foi apreendido e a coleta prejudicada. Profissionais foram agredidos nas ruas de Mossoró (RN), sob a alegação de violar a quarentena. Em Cratéus (CE), as autoridades disseram que não poderiam garantir a segurança do pessoal da pesquisa.

No total, 42 prefeituras impediram que equipes fizessem o trabalho, afirmando que não haviam sido notificadas da pesquisa pelo Ministério da Saúde, alegando que os entrevistadores não são profissionais de saúde ou que desconheciam o protocolo do estudo.

O Ministério da Saúde disse que informou os governos estaduais sobre a realização da pesquisa, mas muitas prefeituras alegam que não foram notificadas. 

Em Manaus, cidade na qual o grupo já finalizou todos os testes, o estudo estima mais de 200 mil conectados, enquanto o número oficial de casos registrados é de 10.660. Isto explicaria a alta taxa de letalidade do vírus no município que, levando em consideração o número de casos oficiais, estaria em 9%.

“Precisamos de sensibilidade dos gestores para que, neste momento tão difícil que o Brasil está passando, a ciência não seja prejudicada. Porque somente a ciência vai nos ajudar a sair deste problema. Seja através da vacina, de medicamentos ou através da informação, que é o que a gente tenta coletar nesta pesquisa”, disse o coordenador do estudo e reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pedro Hallal, em entrevista ao Fantástico.

Foto: Fantástico
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