Notícias

Proposta da CNI extinguirá cota de aprendizagem, diz André Villela

Proposta da CNI extinguirá cota de aprendizagem, diz André Villela


O magistrado do Trabalho André Villela criticou propostas que podem reduzir drasticamente a contratação de jovens aprendizes por empresas. Ele lamentou que muitas firmas descumpram a lei e rechaçou a proposta de autoria da CNI (Confederação Nacional da Indústria) para reduzir a cota de aprendizagem.

“A lei é de 2000, mas as empresas não querem cumprir. As empresas entram com ações para tentar descumprir a lei por entenderem que não estão enquadradas. E agora já existe um projeto de alteração da lei. Se esta proposta passar, não vamos mais ter cota de aprendizagem nas empresas”, alertou Villela, em debate sobre a Lei da Aprendizagem (10.097/2000), nesta sexta-feira (17), na 3ª Semana Nacional de Aprendizagem, no TRT-1 (Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região).

Leia também: Justiça do Trabalho suspende leilão de distribuidoras de energia

O titular da 7ª Vara do Trabalho de Niterói explicou que, mesmo com lei atual em vigor, só metade das vagas destinadas à cota de aprendizagem está preenchida no estado do Rio de Janeiro. De acordo com a legislação, empresas de médio e grande portes devem contratar como aprendizes entre 5% e 15% do quadro de trabalhadores com formação profissional.

A proposta da CNI altera a definição de funções que demandem formação profissional, retirando 938 das 1.616 existentes na CBO (Classificação Brasileira de Ocupações). A Lei de Aprendizagem é considerada uma das principais ferramentas de combate ao trabalho infantil e à evasão escolar.

A questão primordial é que a cota é o meio principal de capacitação dos nossos jovens para o mercado de trabalho. Se não capacitarmos e oferecermos oportunidades, vamos perdê-los. É o nosso caminho para uma sociedade mais desenvolvida e segura”, afirmou Villela.

A mesa de debate foi composta ainda pela procuradora do Trabalho e representante regional da Coordinfância do MPT (Ministério Público do Trabalho), Dulce Martini Torzecki, pelo coordenador da área trabalhista da Procuradoria-Regional da União da 2ª Região, Carlos Rodrigues da Silva Filho e pelo auditor fiscal do Trabalho, Ramon de Faria Santos.

A 3ª Semana Nacional de Aprendizagem foi promovida pelo TST e contou com a realização de audiências públicas e outros eventos em 24 TRTs. O tema escolhido pela 1ª Região foi “A cota de aprendizagem e os desafios enfrentados (Decreto nº 8.740/2016). As decisões do Judiciário Trabalhista e a atuação da fiscalização do trabalho”.

O objetivo da ação é disseminar o conhecimento de autoridades e especialistas sobre os desafios para o cumprimento da cota de aprendizagem, bem como alertar para a importância do combate ao trabalho infantil.

 
We use cookies

We use cookies on our website. Some of them are essential for the operation of the site, while others help us to improve this site and the user experience (tracking cookies). You can decide for yourself whether you want to allow cookies or not. Please note that if you reject them, you may not be able to use all the functionalities of the site.