Notícias

Quarentena pode intensificar quadros de ansiedade e pânico, diz psicanalista

Quarentena pode intensificar quadros de ansiedade e pânico, diz psicanalista
Fundamental para frear a transmissão do novo coronavírus, a quarentena tem sido um grande desafio para a sociedade. O psicanalista Bruno Campos, conveniado da AMATRA1, alerta que o afastamento do convívio social pode afetar negativamente o estado psicológico das pessoas e intensificar quadros de ansiedade e pânico. Por isso, é preciso estar atento e não deixar de cuidar da saúde mental.

Segundo pesquisa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o número de casos de depressão subiu em quase 50% e de ansiedade em 80% desde o início da quarentena no Brasil. O estudo indica que mulheres — especialmente as que permanecem trabalhando presencialmente, que têm doenças preexistentes ou são sedentárias — têm maiores riscos de sofrer efeitos como estresse e ansiedade. 

Para Bruno, o impacto psicológico é muito maior do que se pode mensurar. “Mesmo as pessoas que estão se queixando da quarentena subdimensionam a situação emocional. A palavra ‘confinamento’, por si só, é muito forte: estamos nos “confins”, convivendo com o fim, ou seja, atravessados pelo peso da morte. Lidando com nossa finitude. Como diria Freud, estamos face a face com nosso ‘desamparo fundamental’”, diz.

Leia mais: Jusprev apresenta ações adotadas durante a pandemia do coronavírus
TRT-1 faz ajustes em pagamento de alvarás no BB e na CEF
Papa Francisco defende dignidade no trabalho durante crise da Covid-19


O excesso de notícias a respeito da pandemia pode ser uma das causas do desequilíbrio emocional na quarentena. O psicanalista afirma ser um problema a falta de “filtros singulares” para consumir as informações, que faz com que as pessoas acompanhem as mídias fora de um ritmo particular e desrespeitando os momentos de cansaço e esgotamento. “A tendência é que, inicialmente, escutem tudo e, depois, não aguentem mais ouvir nada”, ressalta.

Membro titular e professor na Sociedade de Psicanálise Iracy Doyle, Bruno Campos indica, aos que se interessam pelo campo clínico, a análise como uma das formas de cuidar da saúde mental e enfrentar os medos na quarentena. Além disso, destaca a busca da capacidade de pensar e escutar as notícias de forma crítica.

“Não há verdades absolutas, apenas interpretações sobre fatos. Portanto, não há caminhos óbvios. Evitemos o maniqueísmo, ou seja, evitemos odiar a diferença, odiar quem lida com o mundo de uma forma diferente da nossa. Ainda que isto seja bastante complexo e trabalhoso.”

*Foto: Freepik
We use cookies

We use cookies on our website. Some of them are essential for the operation of the site, while others help us to improve this site and the user experience (tracking cookies). You can decide for yourself whether you want to allow cookies or not. Please note that if you reject them, you may not be able to use all the functionalities of the site.