Notícias

TRT/RJ - Audiência Pública discute descentralização das Varas

Na última sexta-feira (27.03), o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região realizou, através da sua Escola Judicial (EJ1),audiência pública sobre descentralização e regionalização da jurisdição do TRT/RJ. O auditório do Prédio-Sede do Regional, no Centro, reuniu os representantes de diversos órgãos públicos e entidades privadas e de classe para debater o assunto.

mesa de abertura
A partir da esquerda: a juíza do Trabalho Cláudia Marcia de Carvalho Soares, integrante do grupo de estudos de magistrados sobre descentralização, e o diretor da EJ1, desembargador Evandro Pereira Valadão Lopes

No fim de 2013, o Tribunal Pleno do TRT/RJ decidiu arquivar uma proposta de descentralização da jurisdição das 82 Varas do Trabalho do município do Rio de Janeiro. A despeito disso, a ideia central de descentralização - no seu sentido mais amplo - foi aprovada no IV Fórum Gestão Judiciária do TRT/RJ, em 2014, levando a EJ1 a criar um grupo de trabalho para analisar o assunto. O objetivo é que a audiência pública, gravada em áudio e imagem, torne-se um importante instrumento para subsidiar essa equipe, formada por magistrados de 1º e 2º graus.

Outro instrumento que está sendo utilizado pelo grupo de trabalho são os estudos realizados pela Secretaria de Desenvolvimento Institucional do TRT/RJ (SDE). Na audiência, o diretor da Secretaria, Bruno Fonseca, apresentou informações sociodemográficas e referentes à distribuição geográfica da demanda processual no município do Rio de Janeiro. 

AMPLO DEBATE

Os expositores defenderam seus pontos de vista, analisando vários aspectos, tais como a mobilidade urbana e os impactos do Processo Judicial Eletrônico da Justiça do Trabalho (PJe-JT) na descentralização, ressaltando a postura democrática do Tribunal em ouvir os envolvidos.

Primeira a falar, a procuradora-chefe da Procuradoria Regional do Trabalho, Teresa Cristina D'Almeida Basteiro, disse que, em princípio, o Ministério Público do Trabalho é favorável à ideia de descentralização, mas o assunto demanda um estudo aprofundado. O presidente da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 1ª Região (Amatra-1), juiz do Trabalho Paulo Périssé, que falou em sequência, também defendeu um diagnóstico bem estruturado sobre o tema.

montagem audiencia publica
Alguns dos expositores (em sentido horário, a partir da primeira foto à esquerda): Teresa Cristina D'Almeida Basteiro (MPT), Paulo Périssé (Amatra-1); Marcus Cordeiro (OAB/RJ) - ao centro; Rodrigo Lopes Plaza (OAB/RJ - Campo Grande); e Bruno Fonseca (TRT/RJ)

O secretário-geral da Seccional Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), Marcus Vinícius Cordeiro, lembrou que existe uma relação histórica e afetiva da advocacia carioca com o Centro da cidade e manifestou que qualquer decisão a ser tomada pelo TRT/RJ deve considerar todos os que podem ser afetados por ela: empregados, empregadores, advogados, magistrados e servidores.

A importância da criação de novas Varas do Trabalho para levar celeridade à Justiça do Trabalho - sobrepondo-se à questão da descentralização - foi um ponto destacado pelos expositores Waltenir Costa, conselheiro da 31ª Subseção da OAB/RJ- Bangu, Rodrigo Lopes Plaza, secretário adjunto da 29ª Subseção da OAB/RJ - Campo Grande, e Alexsandro dos Santos Silva, representando a Força Sindical.

publico na audiencia publica
Público presente na audiência pública desta sexta-feira (27/3)

CENTRALIZAÇÃO X DESCENTRALIZAÇÃO

A centralização das Varas do Trabalho da Capital em um único prédio foi uma das ideias defendidas pelo presidente do Sindicato dos Advogados do Rio de Janeiro, Álvaro Sergio Gouvea Quintão, e pela presidente da Comissão Especial de Direito Sindical da OAB/RJ, Rita de Cássia Sant'Anna Cortez. "O Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro precisa buscar uma sede própria", observou a advogada, que destacou o trabalho realizado pela Coordenadoria de Apoio à Efetividade Processual do TRT/RJ (Caep) para levar celeridade à prestação jurisdicional.

A Associação Carioca dos Advogados Trabalhistas (Acat), representada pela sua presidente, Ana Beatriz Bastos Seraphim, manifestou-se contrária à descentralização. Segundo a presidente, um dos fatores que embasaram esse posicionamento é a facilidade de acesso a transportes públicos no Centro da cidade. Já o advogado Luciano Viveiros reforçou que a Justiça deve ir aonde os advogados e jurisdicionados estejam.

necessidade de muitos estudos e outros debates sobre o assunto foi apontada por quase todos os expositores, entre eles o presidente da 57ª Subseção da OAB - Barra da Tijuca, Ricardo Menezes, o secretário jurídico da União Geral dos Trabalhadores - RJ, Cláudio Fernandes Rocha, e o consultor jurídico trabalhista da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Pedro Capanema Lundgren. "Precisamos saber como exatamente seria feita essa descentralização e como ela se refletiria no setor produtivo", observou o consultor da Firjan. Representando o Sindicato dos Servidores das Justiças Federais no Estado do Rio de Janeiro (Sisejufe), o servidor do TRT/RJ Ricardo Quiroga Vinhas reforçou a importância de que os servidores do Tribunal sejam convidados a debater o assunto em outras oportunidades.

Ao concluir os trabalhos da audiência, o desembargador Evandro Pereira Valadão Lopes, diretor da EJ1, lembrou que o tema colocado em pauta precisa ser profundamente estudado e analisado sob seus diversos aspectos e que novos espaços de discussão certamente serão abertos.

We use cookies

We use cookies on our website. Some of them are essential for the operation of the site, while others help us to improve this site and the user experience (tracking cookies). You can decide for yourself whether you want to allow cookies or not. Please note that if you reject them, you may not be able to use all the functionalities of the site.