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TST - Arena Castelão recebe ato pelo trabalho seguro

Os acidentes de trabalho cresceram 103% no Ceará de 2006 a 2010, ano que o estado registrou 12.135 acidentes. Com o objetivo de mudar o cenário que matou 2.796 trabalhadores no último ano, e alertar patrões e empregados para a necessidade de ampliar a prevenção, o Tribunal Superior do Trabalho (TST), o Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) e o Tribunal Regional do Trabalho no Ceará realizam, nesta sexta-feira (17), o Ato Público pelo Trabalho Seguro nas obras da Arena Castelão, em Fortaleza.

Para o presidente do TST e do CSJT, ministro João Oreste Dalazen, o número é alarmante. "É como se a cada ano o Brasil vivesse um 11 de setembro", ressalta o ministro ao comparar o número de trabalhadores mortos ao ato terrorista ocorrido na cidade de Nova York, em 2001.

O ato no Castelão tem finalidade educativa. Os operários vão assistir a palestra e vídeo, receber um kit com cartilha, boné e camiseta, e participar do sorteio de 10 camisas oficiais da Copa, cedidas pela CBF. O craque de futebol mundial, o atacante Careca – Carlos Alberto Bianchesi, que atuou no São Paulo, na seleção brasileira e no time italiano Napoli -, irá falar aos trabalhadores sobre a importância de utilizarem os equipamentos de segurança.

"Queremos que cada um desses operários do Castelão seja porta voz da importância de zelarmos pela segurança e saúde do trabalhador", explica a presidente do TRT do Ceará, desembargadora Roseli Alencar. Ela afirma que um dos principais objetivos do ato público é vencer a desinformação, a negligência e a falta de prevenção, principais aliadas dos acidentes de trabalho.

Acidentes

A construção civil é a recordista no número de mortes, e fica em segundo lugar no ranking geral de acidentes. A cada 100 vítimas, pelo menos seis são pedreiros, serventes e outros trabalhadores de canteiros de obras. Os profissionais que mais se acidentam são os operadores de robôs e condutores de equipamento de cargas, que representam 10% do total.

Os acidentes de trabalho custam ao país cerca de R$ 71 bilhões por ano, de acordo com estudo feito pelo economista José Pastore, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas. O valor representa cerca de 9% da folha salarial anual dos trabalhadores do setor formal no Brasil, que é de R$ 800 bilhões.

No Brasil, o número de acidentes de trabalho caiu de 755.980 casos em 2008 para 733.365 em 2009, até chegar ao patamar atual, de 701.496 acidentes. Já as mortes aumentaram: de 2.817 registradas em 2008, o número caiu em 2009 para 2.560, mas voltou a subir em 2010, com 2.712 óbitos registrados decorrentes de acidentes de trabalho.

Mas o cenário pode ser muito pior, pois os acidentes registrados pelo Ministério do Trabalho e Emprego são referentes apenas àqueles em que as empresas registraram as CATs (Comunicação de Acidente do Trabalho), o que deixa de fora da estatística os servidores públicos, militares, policiais e trabalhadores do setor informal da economia.

Trabalho Seguro

O ato é o oitavo realizado pelo Programa Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho – Trabalho Seguro , que já alertou os operários das obras da Copa do Mundo que estão sendo feitas em Salvador, Brasília, Belo Horizonte, São Paulo, Natal, Cuiabá e Rio de Janeiro.

O projeto foi criado em 2011, pelo TST e CSJT, em decorrência do grande número de acidentes de trabalho registrados pelo Ministério da Previdência. No TST, cerca de 20% dos processos julgados anualmente têm pedidos de indenizações decorrentes de doenças ocupacionais ou acidentes de trabalho.

O presidente do TST e do CSJT, ministro João Oreste Dalazen, já pediu aos magistrados de todo o país que dêem prioridade no julgamento dos processos sobre acidente de trabalho que tramitam nos estados. Para ele, a redução no número de acidentes depende do engajamento de toda a sociedade, mas principalmente de empregados e empregadores. Durante os atos nos estádios de futebol, ele alerta para a necessidade da utilização de equipamentos de segurança. "Quase todos os acidentes do trabalho são evitáveis", afirma.

Arena Castelão

A Arena Castelão, que terá capacidade para 67.037 mil espectadores, não registrou nenhum acidente grave ou fatal desde o início da obra, que já está 80% concluída. A previsão de entrega é para dezembro.

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