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Encontro debate vírus que afeta principalmente mulheres negras

Encontro debate vírus que afeta principalmente mulheres negras
Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher (8) e ao Dia Nacional de Combate ao HTLV-1 (23), o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região promoveu, nesta quarta-feira (26), uma roda de conversa para discutir a importância da mulher na sociedade e aumentar a conscientização sobre o HTLV-1 (Vírus Linfotrópico de Células T Humanas tipo 1), um vírus que pode afetar principalmente mulheres negras. O patógeno é transmitido por fluidos corporais, como sangue e leite materno, e pode causar doenças graves. A juíza Adriana Pinheiro, 2ª diretora de Direitos Humanos da AMATRA1, ressaltou a importância de criar espaços de debate para lidar com essas questões sociais urgentes e a responsabilidade de todos em combater a disseminação do vírus.

“O TRT-1 não é mais apenas um órgão público e não só resolve problemas entre trabalhadores e empregadores. Precisamos expandir nossos conhecimentos e fazer com que a sociedade veja a Justiça do Trabalho como um parceiro em prol da construção da Justiça Social. E nós, mulheres, carregamos a possibilidade de disseminar esse vírus para nossos filhos. Precisamos conhecer esse perigo para identificar e prevenir”, disse a diretora, que também é integrante do Subcomitê de Equidade de Raça, Gênero e Diversidade do TRT-1. 

O HTLV-1 (Vírus Linfotrópico de Células T Humanas tipo 1) é um retrovírus pouco conhecido e passível de permanecer assintomático por anos. No entanto, em alguns casos, pode desencadear doenças graves, levando a deficiências físicas e motoras irreversíveis. A transmissão ocorre principalmente por contato sexual, transfusão de sangue e amamentação, afetando desproporcionalmente mulheres negras. A falta de informação sobre o vírus e suas consequências agrava o impacto na vida das pessoas infectadas, dificultando o diagnóstico e o  tratamento.

O debate sobre o HTLV-1 aconteceu no Centro Cultural do Tribunal, envolvendo especialistas, juristas e pessoas infectadas ou que cuidam de outras portadoras do vírus. O encontro abordou os desafios de mulheres, especialmente negras e em situação de vulnerabilidade, que enfrentam barreiras no mercado de trabalho e no acesso à saúde. A desembargadora Alba Valéria, coordenadora da Comissão de Acessibilidade e Inclusão do TRT-1, alertou para as consequências jurídicas em casos de discriminação de pessoas com deficiências e pontuou a necessidade de se ampliar  a divulgação das medidas que podem ser adotadas para a garantia dos direitos. 

Durante a roda de conversa, a cientista Marzia Puccioni Sohler, especialista no estudo do vírus, fez uma apresentação dos avanços científicos e falou sobre as perspectivas para a erradicação da doença no Brasil. Rosemeri Lima, portadora do HTLV-1 e pessoa com deficiência, relatou suas experiências e as dificuldades dos portadores do vírus, destacando o impacto do capacitismo. Ela enfatizou a importância de políticas voltadas para a inclusão profissional e social. As advogadas Isabel Belinha e Rita Cortez também estiveram presentes e contribuíram com reflexões sobre direitos das pessoas que vivem com o   HTLV-1.

O evento foi organizado pelo Centro Cultural do TRT-1 em parceria com a Comissão de Acessibilidade e Inclusão, o Subcomitê de Responsabilidade Socioambiental e o Subcomitê de Equidade de Raça, Gênero e Diversidade. 

Foto de capa: da esquerda para a direita: Rita Cortez, Adriana Pinheiro, Isabel Belinha, Alba Valéria, Rosemeri Lima, Dalva de Oliveira e Marzia Puccioni.

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