Notícias

Em live, AMATRA1 vai debater direitos trabalhistas de refugiados no Brasil

Em live, AMATRA1 vai debater direitos trabalhistas de refugiados no Brasil
A morte de Moïse Kabamgabe chocou o país e levantou um alerta sobre as condições de trabalho dos refugiados no Brasil. A AMATRA1 vai debater o tema em uma live, em 21 de março, com a procuradora do Trabalho Cristiane Sbalqueiro Lopes, membra da Conaete (Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo) e do Grupo de Trabalho sobre Migrações, e com o professor do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos (NEPP-DH) da UFRJ e coordenador do Grupo de Pesquisa Trabalho Escravo Contemporâneo, Ricardo Rezende. A juíza do Trabalho Daniela Muller, diretora da Associação, vai mediar o encontro, que terá transmissão no canal da AMATRA1 no YouTube e no Facebook, a partir das 17h.

O jovem de 24 anos, que deixou a República Democrática do Congo para fugir da violência, foi assassinado a pauladas em 24 de janeiro, na orla da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, ao cobrar R$ 200 por duas diárias de trabalho. Moïse chegou ao Brasil aos 13 anos, em 2011, estudou até o segundo ano do Ensino Médio e atuava informalmente em lanchonetes e quiosques da capital do estado.

“Nossa intenção é trazer informações sobre a realidade desse grupo, as questões trabalhistas que eles normalmente enfrentam, no intuito de sensibilizar e fomentar a reflexão dos associados e convidados – servidores, advogados, estudantes e demais interessados – para o tema e sua importância”, afirma a magistrada Daniela Muller.

Leia mais: Educação e cultura serão temas do Prêmio Destaque do Innovare
CNJ recomenda uso de protocolo de perspectiva de gênero em julgamentos
Ronaldo Callado debate urgências da JT com próximo presidente do TST

O caso está sendo investigado pelo Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ). No início do mês, a entidade instaurou Inquérito Civil e ouviu familiares da vítima em uma audiência para apurar informações sobre a relação de trabalho entre as partes envolvidas. De acordo com o MPT-RJ, a denúncia indica um possível trabalho sem reconhecimento de direitos, podendo, inclusive, ser configurado como trabalho em condições análogas às de escravizados, com trabalho forçado, xenofobia e racismo.

Para a procuradora do Trabalho Cristiane Sbalqueiro, é preciso colocar o trabalho de maneira central na vida das pessoa. “Nesse contexto, a Justiça do Trabalho é essencial para proteger os direitos humanos. Ao que tudo indica, Moïse sofreu um acidente de trabalho, pois, conforme a nova convenção 190 da OIT, a violência relacionada ao trabalho deve ser reconhecida mesmo que o infortúnio não aconteça no horário de trabalho, e mesmo que o trabalhador não seja registrado”, destaca.

Paralelamente à apuração do MPT-RJ, o Ministério Público e a Polícia Civil do Rio também investigam o crime. Até o momento, três agressores foram presos. Os órgãos analisam, agora, as possíveis infrações cometidas por outras sete pessoas presentes no local no momento do assassinato.

O professor Ricardo Rezende adianta alguns tópicos que poderão ser tratados no encontro. “Faremos apontamentos sobre o refúgio e os congoleses no Rio de Janeiro, trazendo questões como os motivos de emigrar e imigrar,  os refúgios Acnur e Caritas, a interpretação da lei, o que significa estar fora do próprio território, estranhar e ser estranhado, o trabalho e os riscos do trabalho análogo a escravidão, e o que é ser congolês no Rio de Janeiro.”

*Matéria atualizada em 23/02, às 14h25, para informar a nova data do evento.
We use cookies

We use cookies on our website. Some of them are essential for the operation of the site, while others help us to improve this site and the user experience (tracking cookies). You can decide for yourself whether you want to allow cookies or not. Please note that if you reject them, you may not be able to use all the functionalities of the site.